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O retorno das LGBT-fobias

O texto foi originalmente publicado por Animal Político

A Suprema Corte dos Estados Unidos registrou que os direitos humanos não estão garantidos para ninguém. Em alguns dias, quando foi revelada a intenção de retirar o direito ao aborto, se encendieron también las alertas entre activistas LGBT+ porque después de tirar el derecho a decidir en varios estados es muy probable que se vaya a validar la constitucionalidad de diversas expresiones de LGBT-fobia que se están legislando en Florida, Texas, Mississippi y otra veintena de entidades.

Há apenas 10 anos, isso parecia impensável: o avanço do matrimônio igualitário no mundo parecia impossível, as leis de identidade de gênero traziam finalmente uma personalidade jurídica para as pessoas trans, as empresas mais importantes se tornavam gay-friendly e políticos abiertamente LGBT+ assumiram posições de destaque.

Hoje, os estadunidenses estão surpresos com o fato de que décadas de luta podem ter sido travadas por culpa dos movimentos fundamentalistas evangélicos, dos nacionalistas brancos e de muitos republicanos, que já estão restringindo o acesso à informação sobre diversidade sexual nas escolas, legalizam a discriminação sob o pretexto da “liberdade”, restringem os lugares aos quais podem acessar as pessoas trans e, talvez em breve, alguns queiram ir contra o matrimônio igualitário.

Mas o que isso tem a ver com o México e a América Latina? Em muitas ocasiões, pensamos que nesses momentos da história só podem haver avanços. Que a batalha legal e cultural está sendo vencida por aqueles que acreditam que os direitos das pessoas LGBT+ devem ser respeitados. Basta voltar a ver o Brasil, a Guatemala e o Peru para ver que não é assim. Pior ainda se voltarmos a ver o que ocorre em outros países do mundo onde houve retrocessos importantes no reconhecimento da diversidade sexual no último par de anos, como Indonésia, Hungria, Polônia, Turquia e Gana.

No Brasil, o presidente Bolsonaro impulsiona uma cruzada contra as políticas a favor dos direitos das pessoas LGBT+. Na Guatemala, há anos estão promovendo leis que buscam limitar o que os conservadores chamam de “ideologia de gênero”, particularmente restringindo os direitos das pessoas trans. No Peru, aprovaram uma lei que permite que pais e mães de família possam solicitar a eliminação de conteúdos sobre gênero e diversidade nas escolas. Inclusive em um país tradicionalmente laico como Cuba, a proposta de matrimônio igualitário foi detida por anos por pressão das igrejas evangélicas.

Isso somado ao fato de que em nossa região é um perigo ser LGBT+ pelos assassinatos, pela violência e pela discriminação, mesmo em países com uma boa legislação como o México, a Colômbia e a Argentina. Incluso donde hay leyes de identidad de género, se sigue rechazando a las personas trans en espacios formales de empleo; incluso donde los crímenes de odio por homofobia están tipificados, sigue la impunidad hacia quienes cometen un asesinato por odio; mesmo quando existe legislação contra as mal chamadas “terapias de conversão”, continuam existindo charlatães que exercem a profissão dizendo que podem curar a homossexualidade.

Então, o que há para fazer? Sem dúvida, o avanço legal e jurídico é fundamental, mas a mudança cultural e social é igualmente importante. Mudar as atitudes desde a base é fundamental, já que de outra forma essas leis e normas não poderão se sustentar com o tempo. A educação sexual com enfoque de gênero e diversidade, as estratégias de conscientização sobre os direitos humanos, as campanhas de promoção da cultura da não discriminação, entre outras ações, são cruciais.

No México, a Suprema Corte tem sido muito enfática na progressão dos direitos, ou seja, que não pode haver retrocessos, mas não é igual em todos os países da região. Além disso, a composição da Corte poderia eventualmente dar um giro ideológico, o que, por ora, parece bastante leviano, mas não se pode esquecer que os conservadores dos Estados Unidos tiveram o olhar justo para essa situação durante quase cinco décadas e finalmente conseguiram.

O trabalho das organizações da sociedade civil, coletivos e ativistas continua sendo básico. A visibilidade nos meios de comunicação e com influenciadores também é crucial. Mas o que mais falta é o fortalecimento das ações de governo - em todos os níveis - que levam anos implementando ações muito limitadas em favor da saúde, da educação, do emprego ou, em geral, da inclusão de pessoas LGBT+.

Muitos funcionários do atual governo federal têm se pronunciado a favor dos direitos das pessoas LGBT+, temos inclusive deputadas trans no Congresso, mas os orçamentos, as estratégias e as políticas públicas específicas não estão em nenhum lugar. No sexênio atual, houve um avanço em vários estados para aprovar leis de identidade de gênero e de matrimônio igualitário, foram proibidas as “terapias de conversão” em quase uma dezena de entidades, mas as LGBT-fobias não foram eliminadas mudando uma lei. Na verdade, são necessárias as mudanças legislativas e jurídicas, mas não são suficientes.

Voltando a ver o nosso vizinho do norte, vemos como os estados que levaram anos impulsionando estratégias de inclusão como Califórnia, Nova York, Oregón ou Massachusetts são muito diferentes daqueles que deixaram crescer as mentiras e o ódio dos grupos e dos políticos antiderechos como Alabama, Wyoming ou Indiana. Vemos um país - que se tornou um movimento LGBT+ - dividido entre aqueles que acreditam na autonomia corporal e nos direitos humanos versus que defendem seus valores fundamentalistas e supremacistas.

Não pensemos que “a nosotros no nos va a pasar” porque esses mesmos grupos antiderechos dos Estados Unidos têm presença em nossa região e financiam atividades para minar o avanço de nossos direitos. Desfrutamos dos direitos conquistados no México e em outros países da América Latina, mas sem esquecer que a ameaça conservadora continua atuando e que, quando menos esperarmos, algum giro político ou social poderá vir a mudar as coisas.

Continuamos ensinando alianças e incentivando que os governos fortaleçam as instituições que protegem os direitos humanos, assegurem que haja justiça para as pessoas LGBT+, que haja ações de promoção e sensibilização e, acima de tudo, que reconheçam que nossa vida e nossa dignidade valem o mesmo que a de qualquer outra pessoa, sem importar nossa orientação sexual, expressão ou identidade de gênero e expressão de nossa identidade sexual, acima de tudo, que reconheçam que nossa vida e nossa dignidade valem o mesmo que a de qualquer outra pessoa, sem importar nossa orientação sexual, expressão ou identidade de gênero e características sexuais.

El 17 de mayo se conmemora el Día Internacional contra la Homofobia (IDAHO) también conocido como Día Internacional contra las LGBT-fobias, así que es un buen día para recordar que la lucha por la igualdad continúa y que si bien tenemos que celebrar el terreno ganado, no podemos retroceder ni un solo paso.