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Homenagem à vida e ao legado da ativista afro-brasileira Marielle Franco
(Texto do IG de @WomenInTimes)
Na noite de 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, Brasil, Conselheira Marielle Franco se despediu das jovens negras com quem estava em uma reunião e entrou em seu carro para ir para casa. O carro foi seguido por outro carro e atingido por 13 tiros. Marielle e o motorista Anderson Gomes morreram no local. Um ano depois, dois ex-policiais foram presos como supostos autores dos assassinatos, e ainda estão aguardando julgamento. Há indícios de que grupos de milícias e o crime organizado estiveram envolvidos nos assassinatos e as investigações estão paralisadas. Quatro anos após o feminicídio que trouxe à tona a violência política de gênero no Brasil, espelhando uma realidade comum em toda a América Latina e no Caribe, nossas perguntas permanecem sem resposta: Quem ordenou o assassinato de Marielle Franco? E por quê?
Embora ainda não identificados, aqueles que tentaram silenciar Marielle não conseguiram. Marielle, uma mulher forte, negra, LGBT da favela da Maré, mãe, socióloga, e defensor dos direitos humanos, vive através das sementes que ela plantou. Há inúmeros negros LGBTQIAP+ mulheres das favelas que se inspiram em sua luta por justiça reprodutiva, contra a violência do Estado, por saúde e educação públicas de qualidade para as favelas e contra o genocídio da juventude negra. Aqueles que levam adiante o legado de Marielle estão comprometidos com a construção de um país baseado em “valores civilizatórios ancestrais”, nos direitos humanos e na defesa da democracia, como afirma o relatório “Violência política de gênero e raça no Brasil 2021”, do Instituto Marielle Franco. Muitos deles foram eleitos para o cargo em 2018 e em 2020. Muitos outros concorrerão nas eleições brasileiras de 2022. TODOS eles são alvo de ataques insuportáveis por levarem grupos historicamente sub-representados ao poder e desafiarem as desigualdades estruturais. Muitos enfrentam ameaças de morte diariamente.
Esses defensores dos direitos humanos são portadores de esperança para o Brasil e para toda a nossa região, onde a violência política cresce à medida que mais negros são assassinados., Mulheres e mulheres indígenas e LGBTQIAP+ com deficiência trabalham para desmantelar o patriarcado racista. Hoje e todos os dias, estamos em solidariedade global para cultivar as sementes que Marielle Franco plantou. Exigimos que aqueles que a tiraram de nosso mundo sejam responsabilizados. Apoiamos aqueles que honram seu legado. Marielle é imortal diante da injustiça. Marielle é uma floresta que cresce ao nosso redor, mais forte a cada dia.
*Texto disponível em espanhol e português na conta do Instagram de @WomenInTimes